Ensinaram-lhe que somente ser forte era permitido.
Não lhe ensinaram o que fazer com o medo.
Com o desejo.
Com a dor.
Com a solidão.
Com a necessidade de ser cuidado.
Seu corpo deveria suportar, ignorar.
Em silêncio, também.
Há sentimentos que não desapareceram.
Apenas aprenderam a permanecer suprimidos.
Porque há aquilo que não se pode dizer, sentir.
Aquilo que não se deve demonstrar.
Aquilo que, para alguns corpos, nunca deveria sequer existir.
Interdito.
Mas o que acontece quando aquilo que foi interditado escapa por uma imagem?
O corpo deixa de obedecer, esquece que é interdito.
A força revela sua fissura, se liberta.
A vulnerabilidade sorrateira, soberana e incrivelmente viva deixa de pedir licença.
O desejo abandona o esconderijo.
O silêncio começa a produzir presença.
Estas imagens não são para explicar o homem, mas apenas para senti-lo.
Procuram interromper aquilo que acreditamos saber sobre ele.
Talvez o corpo que parece forte esteja apenas sustentando uma ordem, escondendo o que lhe foi imposto não mostrar.
Talvez aquilo que chamamos de masculinidade seja, em parte, uma longa aprendizagem de contenção, supressão e destruição do sentir.
Talvez sentir nunca tenha sido o problema.
Talvez o problema tenha sido acreditar que homens não deveriam sentir; que sentir é fraqueza, é redução.
Aqui, o corpo não é função.
É soberania pura.
Não é ferramenta.
É objetivo.
Não é desempenho.
É descontração.
Não é fortaleza.
É liberdade.
É presença.
Sempre presença.
E diante dele, o olhar também deixa de permanecer intacto.
Espero.
Porque aquilo que foi interditado pode não precisar ser explicado.
Pode ser visto.
Pode ser reconhecido.
Pode ser sentido.
INTERDITO não oferece uma resposta sobre o que é ser homem.

Abre uma pergunta:
O que precisou ser silenciado para que ele pudesse parecer forte?

Reginaldo Galhardo Martins
Artista Visual
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